Terapia de reposição hormonal
Terapia de reposição hormonal virou assunto, tendência, opinião e até disputa nas redes sociais. Mas será que existe uma resposta única para todas as mulheres?
REFLEXÕES


Tenho visto cada vez mais mulheres falando sobre terapia de reposição hormonal, e confesso que estou curiosa com a quantidade de opiniões diferentes que aparecem sobre o assunto, uma diz que a reposição mudou a vida, outra diz que jamais faria, uma fala que voltou a dormir, recuperou disposição, libido, memória, outra fala de câncer, trombose, AVC... E aí eu fico pensando:
Quando o assunto é TRH, quem está certa?
Talvez as duas, talvez nenhuma, porque quando um assunto médico vai parar nas redes sociais ele rapidamente deixa de ser uma questão individual e vira uma espécie de torcida organizada, tem quem defenda, tem quem condene, tem quem jure que é a solução para tudo e tem quem ainda carregue aquele medo que ficou durante anos associado aos hormônios.


E eu não quero defender a terapia hormonal, nem condená-la, quero conversar.
Até porque uma coisa que tenho aprendido é que não existe uma resposta única para todas as mulheres, e isso parece óbvio, mas na internet às vezes esquecemos.
A terapia hormonal pode ser uma opção muito eficaz para mulheres com sintomas da menopausa, principalmente quando iniciada no período adequado, e as sociedades médicas hoje reconhecem que, para muitas mulheres sem contraindicações, os benefícios podem superar os riscos. Mas isso não significa que seja indicada da mesma maneira para todas. Idade, momento da menopausa, histórico de saúde, sintomas, tipo de hormônio, dose e via de administração entram nessa conta.
E aí vem a parte que acho que merece mais conversa.


O que pode acontecer quando a terapia hormonal não é adequada para aquela mulher?
Dependendo do perfil da mulher e da terapia utilizada, entram na avaliação médica riscos como trombose e embolia pulmonar, AVC, alguns eventos cardiovasculares e determinados riscos relacionados ao câncer de mama e ao endométrio, além de sangramentos inesperados que precisam ser investigados. A via de administração também pode fazer diferença, com evidências apontando menor risco de tromboembolismo em algumas situações quando o estrogênio é administrado pela pele, em comparação com algumas formulações orais.
Isso não significa que “hormônio causa tudo isso”, porque essa seria uma conclusão simplista demais.
Significa que os riscos precisam ser colocados na balança junto com os benefícios, considerando aquela mulher, naquele momento da vida, com aquele histórico e aquela forma de tratamento.
E talvez seja justamente aí que eu tenha mais curiosidade, porque estamos vivendo uma mudança interessante na conversa sobre menopausa.


Durante anos, o medo dos hormônios afastou mulheres da TRH, agora parece que fizemos o caminho contrário: ela virou assunto, tendência e, em alguns casos, até promessa de rejuvenescimento.
Mas uma coisa é terapia hormonal prescrita e acompanhada, outra são tratamentos vendidos com promessas de estética, emagrecimento ou “anti-aging”. A própria FEBRASGO alerta para o uso indiscriminado de alguns desses produtos.
Então talvez a pergunta não seja “TRH é boa ou ruim?”, mas:
“TRH é adequada para mim?”
Porque cada mulher tem uma história, um momento e riscos diferentes.
Experiência pessoal não é prescrição médica.
E isso, definitivamente, não deveria ser decidido pelo Instagram.
Beijos da Lorena Escobar
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