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Teoria dos Papéis e as muitas mulheres que existem em nós

Teoria dos Papéis e mulher madura: entenda por que nos comportamos de formas diferentes em cada contexto e descubra as muitas mulheres que existem em uma só.

REFLEXÕES

Lorena Escobar

9/17/20264 min ler

Você não se comporta do mesmo jeito em todos os lugares.

Eu sempre achei isso mágico quando falamos de nós mulheres. A mesma mulher pode ser profissional, mãe, esposa, amiga, empreendedora, aluna, cuidadora, superempresária e, se quiser, bem louca também. E, dependendo de onde está e com quem está, parece que uma versão diferente dela aparece.

Eu sempre pensei muito nisso mas só agora descobri a Teoria dos Papéis, associada a Peter Berger.

A teoria parte da ideia de que não existe um único “eu” social. Nós assumimos papéis diferentes conforme o ambiente, as relações e as expectativas das pessoas ao nosso redor. Não significa fingir ou representar. Significa que cada situação desperta em nós determinados comportamentos.

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E isso fica ainda mais interessante: os papéis tradicionais continuam existindo, mas convivem com outros que talvez nossas mães nem imaginassem: empreendedora, viajante, estudante, profissional em uma nova fase, mulher que aprende tecnologia, que começa um projeto aos 60, que muda de profissão, entra na dança, que experimenta.

E não há contradição nisso, o que temos são muitas mulheres dentro de uma mesma mulher.

E eu me reconheci nessa história, quando comecei a pensar na Teoria dos Papés percebi que eu mesma sou um bloquinho de filhas coloridas, que mudam o tempo inteiro.

Sou mãe e filha, esposa, profissional, empreendedora, amiga, professora e aluna. E essa talvez ser ALUNA seja uma dos meus papéis preferidos ultimamente.

Quando comecei a estudar IA, não imaginava que estaria, pouco tempo depois, ensinando outras mulheres a usar Inteligência Artificial para facilitar a vida. De repente, eu estava ensinando e aprendendo ao mesmo tempo.

Eu não deixei de ser a profissional que sou, mãe, mulher, esposa ou amiga. Apenas acrescentei mais um papel: o de aprendiz de uma tecnologia nova, que agora também compartilho com outras mulheres.

E tem outro papel que eu ADORO, o papel da

Mulher que dança.

Quando danço, não sou ninguém além de mim e minhas emoções. Não estou resolvendo nada, organizando nada, nem pensando eu estou.

E talvez seja justamente por isso que algumas atividades nos façam tão bem: elas nos tiram, por alguns momentos, dos papéis que ocupamos todos os dias.

Foi exercendo meu papel de aluna, na aula de Leonardo Viana, que olhei para tudo isso por outro ângulo. A ideia ficou na minha cabeça e, depois, começou aquela minha conhecida viagem: comportamento, idade, papéis sociais, tecnologia, mulheres maduras...então resolvi escrever sobre a Teoria dos Papéis para vocês.

Uma mulher, vários papéis

A sociedade funciona, em certa medida, como um grande palco.

Não no sentido de que estamos fingindo ser quem não somos, mas porque cada ambiente traz expectativas diferentes sobre como devemos agir.

Nós aprendemos esses códigos ao longo da vida. Sabemos, muitas vezes sem perceber, quando devemos ser mais formais, mais cuidadoras, mais firmes, mais disponíveis ou mais descontraídas.

O papel não é necessariamente uma máscara. É uma forma de organizar o comportamento dentro de determinado contexto.

E existe uma coisa ainda mais interessante: podemos ocupar vários papéis ao mesmo tempo, e eles podem até entrar em conflito.

mulher em festa e as amigas
mulher em festa e as amigas

A mulher durona que no trabalho precisa tomar decisões complexas pode se sentir fraca ao chegar em casa e encontrar seu filho com 38 graus de febre.

A profissional experiente que poderia se aposentar descobre outros interesses e volta para a faculdade.

Essa mesma mulher, que faz cirurgia em recém-nascidos, entra em uma sala de dança... e só dança.

Live, leve e sexy.

Nada disso significa que ela seja incoerente.

Ela apenas transita.

Talvez a questão mais interessante para nós, mulheres maduras, seja perceber quais papéis recebemos ao longo da vida, quais escolhemos, quais abandonamos e, principalmente, quais ainda queremos experimentar.

Porque os papéis sociais também mudam.

E nós podemos mudar a maneira como ocupamos cada um deles.

Talvez a grande questão, então, não seja descobrir qual é a nossa verdadeira versão.

Talvez seja entender que todas versões são nossas.

A profissional e a mãe. A mulher que resolve tudo e a que precisa de colo. A experiente e a aprendiz. A séria e a divertida. A que cuida e a que quer ser cuidada. A que sabe exatamente o que está fazendo e a que está começando alguma coisa completamente nova.

Você não mudou. Mudaram os lugares, as experiências e os papéis que você passou a ocupar.

E talvez ainda existam alguns que você nem experimentou.

lorena escobar
lorena escobar
Então eu deixo uma pergunta:

Qual mulher existe em você que ainda não teve espaço para aparecer?

Porque, aos 50+, 60+ ou 70+, talvez a vida não esteja pedindo que você escolha uma versão de si mesma.

Talvez esteja apenas abrindo espaço para as outras.

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