
O Dia do Sim, os Bastidores do Ego e o Meu Direito de Parar
Se você já organizou um casamento ou passou perto desse mercado, sabe que ele se move por uma engrenagem muito específica: o sonho da perfeição.
REFLEXÕES


Por uns cinco ou seis anos, eu respirei esse universo de cabeça. Criei o Portal Casa Comigo, o casacomigo.app, transformei um aplicativo em uma plataforma de sucesso e comandei cinco exposições badaladas entre Copacabana e o Leblon — das mostras intimistas de mini wedding aos salões cheios de formadores de opinião. Foi um sucesso estrondoso. Movimentamos negócios, conectamos fornecedores, realizamos sonhos. E aí, no auge... eu parei. Do nada. Pá.
Por uns cinco ou seis anos, eu respirei esse universo de cabeça. Criei o Portal Casa Comigo, o casacomigo.app, transformei um aplicativo em uma plataforma de sucesso e comandei cinco exposições badaladas entre Copacabana e o Leblon — das mostras intimistas de mini wedding aos salões cheios de formadores de opinião. Foi um sucesso estrondoso. Movimentamos negócios, conectamos fornecedores, realizamos sonhos. E aí, no auge... eu parei. Do nada. Pá.
Muita gente não entende. "Mas Lorena, estava dando tão certo, por que deixar morrer?". A primeira resposta, a mais descontraída, é que sou geminiana legítima. Minha mente é um ecossistema fervilhante; eu amo o frio na abriga de criar, de tirar a ideia do papel e ver o castelo subir.

Mas quando o castelo vira rotina e burocracia, a minha alma pede o próximo desafio - isso não faz bem à ninguém, mas é outro papo.Porém a veradade verdadeira é que eu não parei logo no início, na pandemia - seria ótima desculpa - porque acabei fazendo parcerias que viraram amigos e que carrego no coração até hoje. Gente como Fernanda Malta, Aline Barata, Mynssem, Simone Fernandes, Henriette, Patricia, Cappelli, MM... ixi, se eu começar a listar todo mundo, não paro mais...
Quem se lembra da saudosa Fernanda Britto Protocolo? Antes de se tornar uma grande referência e ficar famosa nas redes sociais, a Fernanda participou intensamente de cada produção comigo, desde primeiro evento. No nosso icônico Wedding Expo em Copacabana, ela comandou um momento inesquecível ao narrar a história dos vestidos de noiva e contar como nasceu a tradição do vestido branco (inclusive, você pode conferir esse registro histórico abaixo do texto).
O evento foi uma loucura tão maravilhosa que simplesmente lotou o salão de festas do Hotel Pestana. A partir daquele dia, tivemos que rever nossa política de visitação afinal, o mercado de luxo segue um ritmo muito óbvio: ele vive de desejo, de curadoria rigorosa e da escassez. recalculamos a rota.

Fernanda Brito narra a História do Vestido Branco
Até uma máquina cansada, trava.
Olhando para trás, a verdade é que não tinha um motivo comercial para parar, mas eu CANSEI. Preferi recalcular a rota e voltar aos poucos para o mercado de pedras naturais, trabalhando com marketing estratégico para mineradoras e exportadoras. Escolhi um segmento mais estável, corporativo, onde o dinheiro e o valor do trabalho são respeitados. No mercado de casamentos, infelizmente, a moeda de troca muitas vezes se resume a "arrobas" e permutas — um modelo que eu enxergo como uma certa exploração gourmet. É aquela velha história: "se você me der os brigadeiros ou a decoração da festa, eu te marco no Instagram e você ganha clientes". Como produtora de eventos, eu recebia pedidos absurdos nos bastidores. Casamento de influenciadora cheio de tags, na verdade, é casamento de permuta. E adivinha? Me pediam o tempo todo para a produção do Casa Comigo abraçar esse tipo de trabalho de graça. Até fiz alguns no início, mas chega uma hora em que você diz:
"cara, isso já é falta de respeito".
Toda essa vaidade engole o que realmente importa. Celebrar o amor é lindo, mas o problema é quando ele vira um detalhe coadjuvante no meio de uma disputa silenciosa de egos e moedas digitais falsas. Parar o projeto não foi um fracasso; foi um ato de autogoverno e maturidade. Hoje, olho para o mercado de casamentos com carinho pela história linda que escrevi e pelas conexões reais que me restaram. Quem sabe um dia eu não volte? Mas se eu voltar, será sob as minhas regras: despida de qualquer frescura, longe do mercado de aparências e totalmente focada no valor real das coisas.
Afinal, fechar o livro quando a história deixa de fazer sentido para a nossa alma é o maior luxo que a maturidade nos permite.
E agora, uma nostalgia forte!!




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