IoT: O Corpo Virou Mídia?
Black Mirror e o futuro das assinaturas digitais: até onde vai o controle da tecnologia sobre nossas vidas, escolhas e liberdade?
REFLEXÕES


Essa fronteira invisível entre a biologia e o consumo foi justamente um dos pontos mais provocativos que estudamos no módulo de Mobile Marketing (professor Ulysses Reis, FGV).
Olhando ao redor, percebemos que o futuro do episódio já começou.
A Internet das Coisas (IoT) está colada na nossa pele: está no relógio que monitora o coração, nos óculos,, nas roupas inteligentes e nos anéis que rastreiam nossos passos.


Recentemente assisti a um episódio da Série Black Mirror que e deixou inquieta e pensativa: para quem gosta da série, estamos falando da 7ª temporada (Episódio 1), lançada em abril de 2025.
Em "Pessoas Comuns" a trama de Amanda nos causa aquele incômodo que só as melhores distopias conseguem provocar, o resumo é o seguinte: ao aceitar um implante cerebral experimental para salvar sua vida de um tumor, Amanda se vê presa a uma armadilha ultra moderna: um dispositivo, tipo chip, que reativa o lado cerebral parado e que funciona por assinatura e como todas as assinaturas, esta também envolve planos e pacotes.
Por não poder pagar o plano completo, Amanda recorre ao mais barato porém logo descobre que a "cobertura" é limitada, e que quando saia da área, o cérebro parava. Logo depois, não bastando isso ela se vê bombardeada por "anúncios cerebrais" invasivos, ou seja, da mesma forma que o YouTube para no meio de um video e faz propagandas, assim ficou Amanda, anunciando produtos ao longo das suas conversas.
A cena dela interrompendo seus próprios diálogos e pensamentos para recitar propagandas involuntariamente é muito intrigante. Faz a gente pensar sobre até onde vai o controle do mercado sobre a nossa própria identidade? Somos cobaias e não nos damos conta que já permitimos isso.



Caminhamos a passos largos para um Mobile Marketing cada vez mais preditivo, invisível e contextual, misturando-se de forma quase poética — e perigosa — com a nossa rotina.
Você acha que, no futuro, nossa própria mente e biologia serão transformadas em espaços publicitários em troca de gratuidade ou serviços vitais?
Quando o acesso à vida e à cura médica passa a depender de quanta invasão publicitária você aguenta suportar, a tecnologia deixa de ser uma ferramenta de libertação e passa a ser uma nova forma de prisão.
O marketing móvel encurtou a distância física de tal forma que o corpo humano virou a última fronteira das telas.
A tecnologia nos deu conveniência, mas, em troca, abriu uma janela permanente para a nossa intimidade.
Fica a reflexão profunda sobre o amanhã que estamos construindo.
Black Mirror e o futuro das assinaturas digitais: até onde vai o controle da tecnologia sobre nossas vidas, escolhas e liberdade?
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